Por uma Florianópolis Democrática e Popular

Dentre as coisas que tenho prazer em fazer, uma delas, é andar pelas ruas de Florianópolis. É o lugar onde nasci e vivo a continuada e incessante defesa da democracia. Minha juventude se passou no cenário de luta contra a ditadura militar. Nesta caminhada nunca fui dado a neutralidades e ambiguidades. Meu posicionamento em favor da democracia sempre foi explícito. E isto também significa combater injustiças, desigualdades sociais, defender direitos e oportunidades para todos.

Os desafios desta luta se multiplicaram nos últimos tempos. Nunca se atacou tanto o meio ambiente, nunca se negou tanto o conhecimento e a ciência. Nem nos tempos da ditadura houve tanta ocultação de dados públicos e manipulação de informações e estatísticas. Não há espaço para neutralidade quando a intolerância é método de governo e quando política pública se volta contra negros, mulheres, indígenas e LGBTs. Estão destruindo universidades, órgãos ambientais, políticas sociais e de direitos humanos.

O que meses atrás poderia ser taxado de exagero, agora é ameaça real. O autoritarismo e as aspirações fascistas devem ser barradas. E sigo andando pelas ruas de Florianópolis, na Ilha e no Continente. Continuo fascinado com sua beleza, com o nosso jeito manezinho, com a nossa cultura e tradições. Mas aqui também falta democracia. Me entristeço quando vejo que tudo que a natureza nos deu está sob ameaça da ganância.

Na prefeitura e na câmara de vereadores, o compromisso com a democracia, com a resistência e com um sonho de uma outra cidade possível está nos chamando. Tem eleições logo ali e os democratas, efetivamente comprometidos com o povo, precisam virar o jogo.

Muita desigualdade, pouca oportunidade para os jovens. Muita violência e muito desamparo. Assusta ver a degeneração ambiental que literalmente transborda no rio Papaquara, no norte da ilha, no rio Sangradouro, no sul e no nosso cartão postal Lagoa da Conceição. Exemplos de falta de investimento em saneamento básico para preservar a natureza e a saúde de nossa gente. A mobilidade é caótica e nosso transporte deficiente. Nosso desenvolvimento econômico é voltado para poucos, para os mesmos de sempre. São muitos anos de administrações ligadas ao poder econômico e que insistem em um grande arranjo político viciado e decadente.

Uma verdadeira democracia exige uma transformação do modelo de cidade. Que gere emprego e renda. A economia criativa, a maricultura, o ecoturismo e o fortalecimento de iniciativas voltadas para economia náutica sem comprometer o meio ambiente são os desafios. Empregos assim – que podemos chamar de “emprego verde” – exigem empresas com fundamentos éticos renovados.

Estes temas precisam vir à tona quando pensamos em Florianópolis e em quem vai governá-la nos próximos anos. Na prefeitura e na câmara de vereadores, o compromisso com a democracia, com a resistência e com um sonho de cidade está nos chamando. Vamos virar o jogo. Vamos começar por aqui, pela nossa cidade. Eu sou Afrânio, e aqui é democracia.

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